PIROCA VAMPIRA

As lendas que se espalham pelo interior são inesgotáveis, algumas assustadoras, como esta que vou lhes contar.

Três garotos muito amigos, vizinhos no mesmo terreiro do sitiozinho perdido lá para as bandas do norte de Minas Gerais, o Zezinho, o Chico Nego, e o Faustim, todos ali na faixa dos oito, nove aninhos.

Eles eram conhecidos das vistas dos tiozinhos e das tiazinhas do lugar, porque eles eram muito arteiros, viviam se matando. Tinham uma corriola que o apelido era Této, uma derivação de tétano, porque a carriola era só ferrugem, e eles se revezavam em ir hora um dentro, hora um fora, e um que ia correndo atrás, que nem um besta, dando risada, e era muito engraçado, porque era cada tombo que gelava a espinha, por pouco um não matava, por pouco um não morria, e outro bobo só ria.

Um dia, uns dois, três anos mais tarde, quando já estavam nascendo as espinhas, os três queriam namorar, mas namorada nenhum tinha. E naquele desespero, o pelo nas mãos só crescia, cada um arrumou uma namorada, inventaram de namorar as galinhas.

Naquela amizade ingênua, umas piroquinhas que nem ficavam durinhas, um olhava a do outro, colocavam apelidos, e riam. Mas, o Chico Nego todo mundo temia, porque as namoradas voltavam para o terreiro ciscando, só a namorada do Chico que ficava com a cloaca sangrando. Cloaca é tipo o cú da galinha.

Hoje em dia, derramando cachaça para o santo, batendo um papo na vendinha, os amigos relembram os apelidos: o Zezinho era o Pepino, porque a piroquinha parecia um pepino; o Faustim era o  Nadinha, porque quase que piroquinha não se via; O Chico Nego assustava e, do sangue que as galinhas cagavam, nasceu o Piroca Vampira.

Fernando Fortuna

Publicitário, escritor, cineasta, músico. Pois bem, amante das artes e dos movimentos filosóficos da alma. Noite Literal é o meu quintal celestial. É neste espaço que pretendo trocar energias com você.

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