VOCÊ CONSEGUE VER?

Eles achavam o que? Que ninguém nunca iria descobrir? Que as pessoas seriam enganadas para sempre? Pois bem.

A televisão nos atrai, nos distrai, e nos trai. Metade é produção, e a outra metade é enganação. A televisão é assim, capaz de colocar Deus e o Diabo no mesmo palco, e dizer: “quem sabe, faz ao vivo”.

Em qualquer lugar do mundo os telejornais parecem com a cópia da cópia da cópia. Os filmes, as novelas, as séries, os dramas e as mensagens de comam, reproduzam, não questionem, e morram estão em cada polegada de tela desse mundo.

É a nova inquisição, agora digital.

O hipnólogo que balança o pêndulo, e faz o hipnotizado morder uma cebola, acreditando degustar uma deliciosa maçã. A televisão é o pêndulo, e eu pergunto: Quantas maçãs você está mordendo todos os dias?

Um dia a fumaça de uma erva se espalhou pelas ruas, pelas praças, invadiu casas, e acordou todo mundo do transe. A cebola agora ardia.

A toga da justa justiça já não convencia, revelou-se por si só injusta e parasita, condenando, sem data vênia, por interesse financeiro ou por política.

A política se revelou poder, a coisa pública não era um bem comum, era um bem da autoridade, e servia de moeda de troca para barganhar luxúrias, enquanto todo o resto se fodia.  Entendeu, dona Maria?

Era falsa a ida Lua, não tinha sido aquele dia, mas foi um salto muito mais alto e muito antes do que se imagina. A estação espacial não era uma lata de sardinha, eram cidades gigantescas no espaço, e Marte era um quintal tão vasto, onde o cinema se divertia.

Mentiram sobre a geografia, porque a Terra era maior, com muitos outros continentes, mais terra do que se sabia. Gente que nem se conhecia. Oceanos eram apenas bacias. O mundo era uma espaçonave de sonhos.

Agora todas as pessoas se ouviam, dava para se ouvir as batidas dos corações, ninguém estava acostumado a ouvir tantos pensamentos, não estavam acostumados com a tecnologia natural da telepatia.

E quando a fumaça sessou, todos abraçaram novamente aquela companheira que mentia.

Novamente um Sol nasceu. Outra noite, outro dia. E eu fiquei de costas para o pendulo, enquanto todo mundo gemia. Percebi que hora ou outra todos acordavam, e novamente dormiam.

Fernando Fortuna

Publicitário, escritor, cineasta, músico. Pois bem, amante das artes e dos movimentos filosóficos da alma. Noite Literal é o meu quintal celestial. É neste espaço que pretendo trocar energias com você.

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