No inicio só havia um abismo eterno, e ausência da luz. Então, a luz se faz na ponta de um paiero, uma estradinha de terra mineira, vermeinha, se faz, e, no pé da estrada, se faz uma porteira, e, no pé da porteira, um jeca aprecia a criação do mundo. A luz inicial agora se faz brasa, enquanto ele pita. Uma cuspida no chão se faz um rio, o rio deságua no que se faz mar, o mar faz a vida, a vida faz o ovo, e faz o óvulo, o ovo faz a galinha, o óvulo faz a mulher. E lá vem a mulher pela estradinha, lá vem Evinha, com uma lata d’água equilibrada na cabeça: – Tarde, moço. Senhor sabe dizer pra donde que tá a historia da raça humana? – depois de pensar, tirar o chapéu da cabeça, coçar a cabeça, olhar para um lado, olhar para o outro, cuspir o fumo, dizer três vezes “óia”, e ver passar por sua cabeça, sete vezes, os dois astros maiores do céu, a galinha cisca, e ele finalmente se desacócora, e diz, com toda certeza: – A senhora tá venu essa estradinha? Então, apeia nela toda vida, que com fé em Deus a senhora chega lá.

Fernando Fortuna
A poesia, a literatura, são algumas das minhas ferramentas primordiais para vencer os fantasmas diários, sair dos labirintos escuros e colocar, no lado iluminado da vida - aquele que alguns insistem em chamar de “lado de fora” - pinceladas certeiras de emoções. Do sangrar ao riso, do sul ao norte da mente, do céu ao inferno da alma. Eu sou Fernando Fortuna: publicitário, escritor, cineasta, músico. Pois bem, amante das artes e dos movimentos filosóficos da alma. Noite Literal é o meu quintal celestial. É neste espaço que pretendo trocar energias com você. Sejam todos bem-vindos.
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Últimos comentários
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Renata says:
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Fernando says:
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Renata says:
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Fernando says:
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RENATA says:

Adorei essa versão!!!
Legal, nê?