SEM RELIGIÃO

Este é o único planeta habitado da via Láctea, que possui uma realidade sob o enorme julgamento da religião, por que as pessoas pensam ter definido o certo e o errado.

Se elas fizerem alguma coisa errada, serão punidas por Deus, se fizerem o que é certo, serão recompensadas.

Um amigo perguntou se eu acreditava em Deus. Respondi que sim.

Que igreja você frequenta? Disse que não frequentava nenhuma igreja.

Isso o decepcionou.

Desde então, nos respeitamos muito, mas aqui nesta dimensão não somos os grandes amigos que nós somos na realidade alternativa de um mundo que nunca, em nenhum momento da história, ouviu a palavra religião. Nem suas derivações como igreja, padre, protestantismo.

A única palavra que eles conhecem é “fé”. E o puro sentimento de fé os leva pelos tijolos do conhecimento na estrada do seu tempo.

Você pode acreditar que esta vivendo a era de ouro das tecnologias, o mundo conectado, os progressos da medicina, a possibilidade de chegar a Marte.

Bem aqui, ao lado desta realidade que você está testemunhando agora, existe uma realidade bizarra, onde a igreja conseguiu impor suas influencias e criou um mundo religioso, sem nenhuma bondade verdadeira, com uma sociedade estagnada pelo medo e pelo temor a Deus.

Uma população em crise com seus próprios sentimentos, um único mundo em guerra por pequenos quintais sagrados.

Lá, as pessoas acreditam em Deus, pois são obrigadas a acreditar, mas não tem a menor noção de fé, pois nunca ouviram falar disso.

Apenas trabalham para alimentar os que estão sob a proteção da cruz, para não receber o castigo da justiça divina, aplicada pelas mãos dos sacerdotes, e não padecerem como a grande maioria.

A realidade que você experimenta agora é o meio termo entre a realidade bizarra do domínio da igreja e a realidade sem religião.

E foi na realidade sem religião que eu pude visitar o local mais antigo em conhecimento de que se tem noticia na história humana: A biblioteca de Alexandria.

A cidade foi escolhida para ser a capital de seu império por Alexandre o grande, num inverno de 331 antes de Cristo. Um século mais tarde ela se tornou a maior cidade do mundo.

É uma cidade aclimada pela autoconfiança.

Em Alexandria ha uma biblioteca imensa e um instituto de pesquisa associado.

Neles trabalham as melhores mentes do mundo.

No anexo da biblioteca fica o Serapeum, que era um templo, mas depois foi reconsagrado ao conhecimento. Suas prateleiras são o cérebro e a glória da maior cidade do planeta Terra.

Na biblioteca de Alexandria, há 2000 anos, começou a aventura intelectual que nos levou ao espaço. Nesta realidade o homem já foi a Marte dois mil anos antes da data que você conhece, e de verdade.

É lá, no pátio central da grande parede, onde existe um mural com a figura de Alexandre, o cajado, o mangual e a touca cerimonial dos faraós do Egito antigo, que eles estão recebendo os viajantes da nave Epopeias.

A nave retorna de sua viagem ao centro da galáxia de Andrômeda e suas galáxias satélites.

Faz seus primeiros relatos sobre os resultados da missão, e apresentam representantes de mundos recém-descobertos.

Todo o conhecimento do mundo antigo prosperou abrigado por suas paredes de mármore.

A biblioteca é a cidadela da consciência humana, um farol para as estrelas.

O primeiro e único instituto de pesquisa verdadeiro na história do mundo, onde se estuda absolutamente tudo em todo o cosmos.

Cosmos é uma palavra grega, que quer dizer ordem do universo, e é o oposto de caos. Ela define a profunda interconectividade de todas as coisas sobre a forma intrínseca e sutil da composição universal.

O gênio floresce há 2700 anos na biblioteca de Alexandria, abalizado pelos conhecimentos de seus antigos pesquisadores.

Como Erastótenes, havia o astrônomo Hiparco, que mapeou as constelações e estabeleceu o brilho das estrelas.

Euclides sistematizou brilhantemente a geometria e disse ao seu rei que estava em luta com problemas da matemática, e que não existia uma estrada real para o universo geométrico.

Dionísio da Trácia definiu as partes do discurso em substantivos, verbos e fez pela linguagem o que Euclides fez pela geometria.

Herófilo, o fisiologista que identificou o cérebro, e não o coração, como o centro da inteligência.

Hipátia, uma grande mulher, matemática e astrônoma.

Os reis gregos do Egito, sucessores de Alexandre, colocaram os avanços na ciência, na literatura e na medicina entre os tesouros do império.

Ha séculos a pesquisa e a erudição são apoiados.

Existem dez grandes laboratórios de pesquisa, salas de dessecações, doze modernos observatórios astronômicos, fontes e colunatas, jardins botânicos e até um zoológico com animais da Índia, da África subsaariana e de diversas regiões do cosmos.

Mas, o tesouro da biblioteca, consagrada ao deus Seraphis, construída na cidade de Alexandre, é sua colossal coleção de livros.

Os organizadores da biblioteca varrem todas as culturas e línguas do cosmos, atrás de livros, desde o mundo antigo.

Eles mandam agentes aos universos exteriores para realizar trabalhos de pesquisa.

Seu acervo conta com uma infinidade de títulos, das antigas pilhas de pergaminhos chamadas de livros dos navios, aos mais recentes arquivos tecnológicos sobre as diversas culturas do hiperespaço.

Os números passam de um milhão de bilhão de títulos. Só pergaminhos são mais de três milhões de obras. A cana do papiro cresce no Egito, ele é a origem da nossa palavra papel.

Cada volume que existe na biblioteca, foi escrito a mão em pergaminhos de papiro.

Os viajantes da nave Epopeias prestam sua homenagem ao astrônomo Aristarco de Samos. Ele afirmou que a Terra e outros planetas orbitam o Sol e que as estrelas estão enormemente distantes.

Na realidade em que você vive, foi preciso esperar quase 2000 anos para que estes fatos fossem redescobertos.

Todos os mistérios do passado podem ser resolvidos pelos usuários da biblioteca.

Ha dois mil anos, a população desta realidade alternativa começou a reunir, sistematicamente, o conhecimento do cosmos.

A Terra que Erastótenes conheceu era um minúsculo mundo esférico, flutuando numa imensidade de espaço e tempo. Foi o começo do encontro de nossa posição no cosmos. Os cientistas da antiguidade deram os primeiros passos.

Nesta realidade, o conhecimento é compartilhado em uma única língua, o Grego.

Toda a população possui conhecimento sobre ciência, medicina, elementos químicos e físicos.

Tudo o que se inventa é com o propósito de servir a todos, não existe comércio, o planeta e os universos são heranças para todo e qualquer ser vivente.

Não há inveja ou ostentação, nem hipocrisia, nem preconceito.

A estimativa de vida é de 600 a 900 anos. E só não experimentam a eternidade, por sua extrema curiosidade na experiência de morrer.

Fernando Fortuna

Publicitário, escritor, cineasta, músico. Pois bem, amante das artes e dos movimentos filosóficos da alma. Noite Literal é o meu quintal celestial. É neste espaço que pretendo trocar energias com você.

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